Pergunta ao Governo N.º 802/XII/2
Encerramento das Pousadas da Juventude de Abrantes, Alijó, Braga, Foz do
Cávado, Navio Gil Eanes, Ovar, Ponte de Lima, S. Martinho do Porto, S. Pedro
do Sul, Alcoutim, Aljezur, Almograve, Alvados, Espinho, Lousã, Melgaço
Sexta 21 de Dezembro de 2012
O Ministro dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas anunciou em Agosto a
decisão de privatização das Pousadas da Juventude. Em Setembro o PCP dirigiu
uma pergunta ao Governo sobre o fundamento da privatização destes equipamentos
por entender colocar em causa a sua missão específica, a sua qualidade e os
preços praticados. Na resposta o Governo afirmou que estaria a “avaliar Pousada
a Pousada tendo em vista a sua viabilidade económico-financeira, nunca
esquecendo a sua função social de potenciar a mobilidade dos jovens (nacionais
e estrangeiros) no nosso país”.
De acordo com o Decreto-Lei nº98/2011, de 21 de Setembro, que cria o Instituto Português do Desporto e Juventude, de entre as diversas atribuições na área do desporto e da juventude, inclui-se a “mobilidade dos jovens, promovendo a construção de infra-estruturas de alojamento e dinamizando, em particular, a rede nacional de pousadas de juventude, segundo critérios de racionalidade geográfica e demográfica, bem como de eficiência económica” (alínea h), do nº3, do artigo 4º do presente decreto-lei).
De acordo com o Decreto-Lei nº98/2011, de 21 de Setembro, que cria o Instituto Português do Desporto e Juventude, de entre as diversas atribuições na área do desporto e da juventude, inclui-se a “mobilidade dos jovens, promovendo a construção de infra-estruturas de alojamento e dinamizando, em particular, a rede nacional de pousadas de juventude, segundo critérios de racionalidade geográfica e demográfica, bem como de eficiência económica” (alínea h), do nº3, do artigo 4º do presente decreto-lei).
Contudo, o encerramento das Pousadas de Juventude de Leiria, Guarda,
Portalegre, Setúbal e Vila Real é da maior gravidade para os direitos da
juventude, designadamente o direito ao lazer e à mobilidade, mas representa
também mais uma política de promoção do desemprego, desinvestimento público,
destruição de serviços públicos e de aprofundamento da desertificação do
interior do país. Se estas pousadas não tinham as condições materiais adequadas,
deveriam ser dotadas de tais equipamentos e não encerradas deliberadamente. As
pousadas de Portalegre, Guarda e Vila Real e Leiria desempenhavam um papel
determinante como instrumentos de coesão social e territorial, para além de
constituírem factores de desenvolvimento económico e social para estes
distritos.

A MOVIJOVEM é uma cooperativa com capital maioritariamente público, 80% detido
pelo IDPJ, pelo que se podem levantar dúvidas sobre a legalidade da aplicação
do lay-off a estes trabalhadores. Para além disso, não existe qualquer garantia
da parte do Governo de reabertura destas unidades a 15 de Março de 2013 sem
prejuízo e de acordo com as condições contratuais e manutenção dos direitos dos
trabalhadores.
Os trabalhadores da Movijovem têm sido confrontados com a retirada do subsídio
de férias e de Natal, o fim do direito à integração das diuturnidades no
salário, do seguro de saúde e, por consequência, a redução dos seus salários
reais e condições de trabalho estável e digno.
Grande parte destes trabalhadores são jovens, e para além deste desrespeito
pelos seus direitos fundamentais, o Governo PSD/CDS pretende ir mais longe e
aprofundar o processo de liquidação da Rede Nacional de Pousadas, estando mesmo
já constituída para o efeito a “Comissão Liquidatária da Movijovem” com o objectivo
de encerramento de todas as instalações que tenham dado prejuízo, de acordo com
informações saídas da reunião com a estrutura representante dos trabalhadores,
designadamente a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Agricultura,
Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) da CGTP-IN.
Este processo de encerramento está a ser desenvolvido de forma unilateral, com
a perspectiva de destruição de postos de trabalho e desrespeito pelos direitos
dos trabalhadores. Este processo é mais um exemplo de como o Governo é
responsável directo pelo agravamento do desemprego e pela destruição líquida de
postos de trabalho.
O PCP acompanha as reivindicações dos trabalhadores e das suas entidades representativas,
designadamente:
1. Fim imediato do processo de liquidação em curso;
2. Tomada de medidas urgentes de viabilização da Movijovem com garantia de;
1. Manutenção dos postos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores;
2. Continuidade da prestação dos serviços inerentes à Movijovem;
3.Suspender o processo de encerramento das pousadas e da aplicação do lay-off
aos trabalhadores;
4. Devolução imediata do valor retirado aos subsídios dos trabalhadores;
5. Reiniciar a negociação do Acordo de Empresa.
O PCP considera inaceitável a decisão de encerramento destas unidades. Para a
JCP e o PCP é determinante a manutenção destas Pousadas de Juventude,
integradas na rede nacional de pousadas de juventude, a salvaguarda dos postos
de trabalho, o respeito pelos direitos dos trabalhadores e a sua integração nos quadros da Administração Pública,
considerando que o Instituto Português do Desporto e Juventude tem a atribuição
da mobilidade juvenil.
É inaceitável que o Governo PSD/CDS justifique estes encerramentos com
critérios de “sustentabilidade financeira e endividamento” incumprindo as suas
competências específicas no artigo 70º e a garantia dos direitos da juventude,
designadamente no “aproveitamento dos tempos livres”. Pese embora ao longo dos
últimos anos, sucessivos Governos PS, PSD e CDS têm promovido uma política de
preços desajustada, encarecendo e colocando muito próximo dos preços praticados
pelas unidades hoteleiras, a rede nacional de Pousadas da Juventude constitui
uma das melhores redes de pousadas juvenis da Europa e representava até há pouco
um serviço público de qualidade e um instrumento efectivo de concretização dos
direitos da juventude, consagrados na Constituição da República Portuguesa.
Assim, ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis,
solicita-se ao Governo que por intermédio do Ministério dos Assuntos
Parlamentares, sejam respondidas as seguintes perguntas:
1.Confirma o Governo o objectivo de encerramento das Pousadas da Juventude de
Abrantes, Alijó, Braga, Foz do Cávado, Navio Gil Eanes, Ovar, Ponte de Lima, S.
Martinho do Porto, S. Pedro do Sul, Alcoutim, Aljezur, Almograve, Alvados,
Espinho, Lousã, Melgaço?
2. Com que fundamento e base legal se aplica o lay-off a estes trabalhadores?
3.Que resposta dará o Governo às reivindicações dos trabalhadores, designadamente
quanto ao fim imediato do processo de liquidação em curso, e a tomada de
medidas urgentes de viabilização da Movijovem com garantia de manutenção dos
postos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores; suspender o processo de
encerramento das pousadas e da aplicação do lay-off aos trabalhadores;
devolução imediata do valor retirado aos subsídios dos trabalhadores; e
reiniciar a negociação do Acordo de Empresa?
4.Reconhece o Governo que a não dar resposta a estas reivindicações dos
trabalhadores é responsável pelo agravamento do desemprego e da crise económica
e social?